
1. Introdução
2. Antes de Começar -
Preparando a página
3. Colocando o seu
roteiro na página
4. Como dirigir o seu
roteiro
5. Oito dicas

Uma crítica geral que surgiu durante o workshop
Laboratório Sundance de 1996 foi a falta de
uniformidade na formatação. Somente dois dos
oito roteiros poderiam ser considerados
aceitáveis para os padrões norte-americanos. Se
nos Estados Unidos a atenção dada à
fomatação é exagerada, aqui no Brasil reina
uma atitude de "cada um por si". De
certa forma a padronização de roteiros
restringe o escritor, primeiro porque este tem
que aprender novas regras, e também porque a
formatação padrão para roteiros de
especulação - o chamado Master Scenes -
priva o escritor de alguns recursos (como, por
exemplo, ângulos de câmera, cortes de cenas
etc). Porém as vantagens compensam em dobro
estas pequenas desvantagens:
- são pouquíssimas regras
- o leitor começa ler o roteiro num campo
visual que lhe é familiar, e não se
dispersa levando de 5 a 10 páginas para
se acostumar com um novo estilo
individual.
- é a única maneira de facilmente se ter
uma idéia do tamanho do filme (uma
página em Master Scenes
corresponde, em média, a 1 minuto de
filme), que é fundamental tanto para o
leitor quanto para o escritor terem uma
idéia do ritmo.
- a adesão a essas regras força o
roteirista a dedicar-se à trama do
filme. Considerações sobre o ponto de
vista da câmera e cortes de cena, quando
não são absolutamente indispensáveis
para a narrativa, só servem para
distrair o autor da principal função
dele: contar uma história.
- ajuda a evitar um outro erro comum nos
roteiros apresentados para o Sundance: o
de incluir fatos invisíveis nos textos
de descrição. Por exemplo:
"Um carro desce uma estrada em
direção ao Rio de Janeiro. Dentro, um grupo
de músicos, cujo cantor é um homem escuro
com cabelos curtos, como um punk do
Terceiro Mundo. É Jorge Salgado que está
chegando ao Rio para fazer dois shows
gratuitos na praia de Ipanema."
Dificilmente o espectador, só vendo um carro
andando numa estrada, vai conseguir capturar a
descrição e o comentário da segunda frase, ou
a informação da terceira. Escrever em Master
Scenes força o autor a procurar maneiras de mostrar
estas informações, se é que são fundamentais
para a história - e se não forem, de
descartá-las.
O pior furo deste tipo que encontrei até
agora foi a seguinte frase, que vem de um roteiro
que traduzi recentemente (mudei o nome da
personagem):
"Geraldo bota o chapéu, faz um movimento
imperceptível com a cabeça e sai..."
Se, um dia, algum leitor reconhecer o filme
através deste movimento imperceptível, favor
entrar em contato comigo que eu pago o almoço.
Seguindo a sugestão de um dos convidados para
o Sundance, apresento então um pequeno guia
sobre Master Scenes.
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